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Musicas Popular por Mário de Andrade em 1929

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                   [...] Uma feita em Fonte Boa, no Amazonas, eu passeava com o filho do prefeito num salão de mata. Saia um canto feminino duma casa. Parei. Era uma gostosura de linha melodica, monotona, lenta, muito pura, absolutamente linda. Me aproximei com a maxima discreção pra não incomodar a cantora, uma tapuia adormentando o filho. O texto que ela cantava, lingua de branco não era. Tão nasal, não desconhecido que imaginei fala de indio. Mas era latim... De tapuio. E o Acalanto não passava do Tantum Ergo, em Cantochão. Uma sílaba me levou pra outra e mais por intuição que realidade pude reconhecer tambem a melodia. A deformação era tamanha que nem de propósito ! Porêm jamais não me esquecerei da comoção de beleza que recebi dos labios da tapuia. O Cantochão vive assim espalhadissimo nos bairros, nas vilas, por aí tudo no interior. Será possivel talvez perceber na liberdade ritmica de certos fraseados do nosso canto, uma influênci...

Fenomenologia

 [...] A história da filosofia, ao contrário, mostra que é sim possível pensar a partir daquilo que o autor produz sem o saber, ou sem o reconhecer. Pensar deslocando conscientemente a ordem das razões de um filósofo para que a radicalidade de certas conquistas possa aparecer com mais força. [...] (Hegelianos?)

A Carroça dos Cachorros

      Quando de manhã cedo, saio da minha casa, triste e saudoso da minha mocidade que se foi infecunda, na rua eu vejo o espetáculo mais engraçado desta vida.    Amo os animais e todos eles me enchem do prazer da natureza.    Sozinho, mais ou menos esbodegado, eu pela manhã, desço a rua e vejo.    O espetáculo mais curioso é o da carroça dos cachorros. Ela me lembra a antiga caleça dos ministros de Estado, no tempo do Império, quando eram seguidas por duas praças de cavalaria de polícia.    Era no tempo da minha meninice e eu me lembro disso com as maiores saudades.     -- Lá vem a carrocinha! -- dizem.    É todos os homens, mulheres e crianças se agitam e tratam de avisar os outros.    Diz Dona Maroca a Dona  Eugênia:    -- Vizinha! Lá vem a carrocinha! Prenda o jupi!   E toda a "avenida" se agora e os cachorrinhos vão presos e escondidos.    Esse espetáculo tão...

Soweto

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Soweto [Levante Negro da África do Sul, que pude encontra em um livro essa imprecionante foto, uma obra sobre a história do Apartheid de Marta Maria Lopes (sou Welton🤩) (Eu na minha infância , lendo uma obra do Anarquista Comunista🤩)[pinterest] quem como eu deve ter pensado no Capitão América?! Seja o filme dos anos 90 seja os do nosso tempo atual e sem deixar de lado os gibis. Etc.

Hegel sobre o que pensava do Capitalismo

 1801-1802: Porém , além disso, ele tem a sua própria dinâmica. A riqueza, abstraída  da posse imediata de objetos de uso, tende a gerar riqueza (realphilosophie, vol.II,p.  232-33), e isso, por seu turno, converte - se em dominação  (Herraschaft) (SdS, p.  83). Desse modo, extremos de riqueza e o inesgotável refinamento do gosto do consumidor andam as partes com a relegaçāo das massas à pobreza e sua condenação a " um trabalho embotante, insalubre, inseguro e que limita a habilidade (abstumpfendem, ungesunden und unsicheren, und Die Geschicklichkeit beschränkenden Arbeit)" (realphilosophie, vol. II, p.  232) E esse sistema ramificados constantemente se dissemina por um número cada vez maior e ramos da indústria  (Realphilosophie, vol. II, p. 233). No processo, ele priva massas de seres humanos de toda a cultura humana. Ele as reduz à "bestialidade" em que não conseguem apreciar coisas elevadas (Die Bestialität der Verachtung alles Hohen  [a best...

Makhno sobre Autoritarismo e Estadismo

 Makhno  diz;         [...]O Estado  e a Autoridade tiram toda iniciativa das massas, matam o espírito de criação e atividade livre, cultivam nelas a psicologia servil de submissão, de expectativa  de esperança de escalar a escada social, de confiança  cega em seus líderes, de ilusão de  ou partilhamento em autoridade.[...]        Mais ainda, tomar o poder através de uma revolução social e organizar um assim chamado "estado  proletário" não pode servir à causa autêntica de emancipação dos trabalhadores.  O Estado, imediatamente e supostamente construído pela defesa da revolução, imediatamente e supostamente construído pela defesa da revolução,  invariavelmente termina deturpado pelas necessidades e características pessoais peculiares a si mesmo, tornando - se ele mesmo a meta, produz castas específicas e privilegiadas, e , consequentemente, restabelece a base da Autoridade e ...

O Novo Manifesto

    Eu também sou candidato a deputado. Nada mais justo. Primeiro: eu não  pretendo fazer coisa alguma pela Pátria, pela família, pela humanidade.     Um deputado que quisesse fazer qualquer coisa dessas, ver se - ia bambo, pois teria, certamente, os duzentos e tantos espíritos dos seus colegas contra ele.     Contra as suas idéias levantam-se - iam duas centenas de pessoas do mais profundo bom senso.     Assim, para poder fazer alguma coisa útil, não farei coisa alguma, a não ser receber o subsídio.     Eis, aí em que vai consistir o máximo da minha ação parlamentar, caso o preclaro eleitorado sufrague o meu nome nas urnas.     Recebendo os três contos mensais, darei mais conforto à mulher e aos filhos, ficando mais generoso nas facadas aos amigos.     Desde que minha mulher e os meus filhos passem melhor de cama, mesa e roupas, a humanidade ganha. Ganha, porque, send...

Bomba de Nagazaki

-- Que negócio é esse de ato político? Não estou entendendo, viu? -- Lamento informar. A bomba que geriu aos japoneses era, na verdade, direcionada para Moscou. -- Como?! Depois tivemos a Guerra Fria e tal, mas norte-americano e soviéticos lutaram na mesma trincheira. Não viaja... -- Ato político, meu caro. Ato político. Eles não eram tão aliados assim. Aliança entre URSS e EUA era ocasião, destinada a combater um inimigo comum. Quando a guerra estava se definindo, começou essa história de um provar que o outro era mais forte. Na minha opinião, a bomba em Hiroxima foi isso. Uma demonstração de força. Aliás, não satisfeitos, os EUA mostraram que podiam fabricar várias bombas em tempo recorde. E quem pagou o pato foi Nagasaki.   -- É. Teve Nagasaki também. Foi em 8 de agosto de 1945? Não, não. 9 de agosto de 1945. Sei lá,  comecinho de agosto. 40 mil mortos. Sei disso genético dos nativos. Acho que é isso... Um médico especializado pode explicar melhor. Quem sobrevive...