(Olívio de Barros) Os Jagunços - resumo - capítulo I, A encommendação


"A noite cairá tristemente naquelle pouso solitário."
 (Página 3)


 " [...] ( Página 4)

"O homem em vigília á beira do fogo, attrahido pelos movimento do cão, que rondava arrepiado uma luzinha que tremia ao longe como um vagalume.
 -- Que é lá, tigre? Fica quieto, cachorro! Qualquer bichinho que passa, qualquer vaga-lume que allumia, este diabo de cachorro estranha logo. Bota abaixo já ! " [...]

(Páginas 4 e 5)

Naquele diálogo mudo com as estrellas, para onde subiam seus pensamentos e de onde vinham a consolidação e a esperança, o camarada se quedou insomne, sorvendo de quando em vez, em largos haustos, e o fumo do cigarro.
 Vivendo, como dizia a cantilena do Sul, << livre e ao relento, pobre e sem luxo, na asa do vento>>, crescido no meio do sertão Largo, sem amores e sem família, um que de melancholia se notava na alma do camarada. Mudando de patrões, mudando de lugares, errando pelos estampados como os beduínos no deserto, seus companheiros de sempre e seus amigos eram o cão e o cavallo. Estes lhe comprehendiam a alma e sabiam acompanhal-o nas resoluções.

 Das vozes da natureza ele amava, sobretudo, o trovão ao longe. Quando pelos caminhos ermos, nas tardes púrpureas, passava sonora e distante a voz do trovão, alguma cousa de humano e amigo lhe sonbalçava o peito, despertando-lhe saudades e dôres, desejos jamais realizados, amores sem objecto, anhelos ou ambições vagas e fugidias. Então, erguia-Se nos estribos, soltava as rédeas ao Cavallo, deixava cair nas costas o chapéu de couro, segundo ao pescoço pela barbela, e falava ao deserto em grandes exclamações de desabafo; ou se não, levantava a voz potente e ensinava a mais magua das canções sertanejas.
  Manso e manso, foi-lhe chegando o somno."

 (Página 13)

[...]" Algumas imagens giravam durante de seus olhos semicerrados e uma, principalmente, que ele jamais evocára appareceu-lhe subitamente iluminada, com um gesto meigo de carinho e de adeus. E ele cerrou os olhos, como se quisesse prender na objetiva.
   O rancho inteiro dormia.
   O côro monotono dos grilos e das rãs nas restingas espalhava-se brandamente. A larga faça da vialactea, ponteada de milhões de quequeninos sós, extendia-Se enviesada pelo azul pálido, com um brilho macio e discreto dos adoradores de pérolas nos collos alvos.
  Na curva no Céo, passa devagarinho um bando de nuvens branças, nadando suavemente no azul."
  ( Página 14)

..............


[ ... ] Welton Báthory

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