Kropotkin sobre autoridades em geral
[...] os estados gastam em armamentos o terço das suas receitas – em bem se sabe o que são os impostos e o que
custam ao pobre.
A educação é um privilégio. Pode-se lá falar em educação, quando o filho
do obreiro é obrigado a descer à mina aos 13 anos e ajudar seu pai na fazenda? Falar de estudos ao trabalhador que volta a noite, quebrado por um dia inteiro de trabalho forçado! As sociedades dividem-se em dois campos contrários e nestas condições a liberdade torna-se uma palavra vã. O radical pede uma extensão maior das liberdades políticas, enquanto se apercebe que o sopro da liberdade rapidamente conduz ao levantamento dos proletários; e então recua, muda de opinião, e volta às leis de exceção e ao governo do sabre.
Uma legião de autoridades é necessária para manter os privilégios e este mesmo conjunto torna-se a origem de todo um sistema de delações, mentiras, ameaças e de corrupção.
Por outro lado este sistema atrasa o desenvolvimento dos sentimentos
sociais. Compreende-se que sem retidão, sem o respeito de si mesmo, sem simpatia e sem auxilio mútuo, a espécie deve definhar como definham certas espécies animais, que vivem de rapina. Mas isto não convém as classes
dirigentes, que inventaram para provar o contrário uma ciência absolutamente
falsa.
Tem-se dito coisas muito bonitas sobre a necessidade de repartir o que se possui pelos que não tem nada. Mas se alguém se lembra de por este princípio em prática é logo advertido de que todos estes grandes sentimentos são bons nos livros de poesia, mas não na vida prática.
“Mentir é aviltar-se, rebaixar-se”, dizemos nós, e toda a existência civilizada torna-se uma colossal mentira. Hipocrisia e sofisma tornam-se a segunda natureza do homem civilizado."
[...] Página 7 A conquista do Pão.
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